quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Depois de meses de calma, de sorrisos, de sabores e força, hoje voltou a doer. Nada comparável a dor de meses atrás, ao sufoco e desespero constante. Mas voltou a doer e isso me assusta, me envergonha. Doeu quando eu abri o guarda-roupa e vi que todas minhas calças estão justas, que pouco a pouco vou perdendo algumas roupas. Doeu quando eu me olhei no espelho e, por alguns longos minutos, revi meu reflexo inchado.
Eu não quero que as coisas voltem, eu não quero me sentir assim. Eu quero ser forte, eu quero me manter firme, estável, corajosa. Mas, hoje, agora, dói tanto. Dói tanto estar sozinha e não ter ninguém para conversar sobre isso, dói tanto me abraçar no escuro e prometer que eu vou agir como se tudo estivesse bem até que tudo realmente esteja bem, que vou ignorar qualquer desespero, qualquer sufoco. Dói tanto não ter certeza se suporto meu peso sozinha e, olhar para os lados e não encontrar nenhum outro apoio, nenhum par de braços que possa ajudar por algumas horas, até que a dor passe, até que a força retome seu devido lugar.