terça-feira, 29 de novembro de 2011


Acredito que uma das coisas que mais me ajudou a superar a ana/mia foi ter o apoio de uma nutricionista. O fato de ter uma rotina alimentar, de ter porções corretinhas e horários a serem seguidos, me ajudou muito.
Antes da minha primeira consulta pensei logo que ela iria me obrigar a comer coisas pesadas, a voltar a comer carne, a comer porções gigantes. Mas não, muito pelo contrário, ela foi extremamente calma ao me passar uma dieta. Minha dieta era completamente básica, com as menores porções possíveis, ela escolheu me indicar alimentos leves e me deixar bem livre para escolher as variações do meu cardápio. Obviamente que quando ela passou a dieta eu achei absurdamente enorme, pensei que eu jamais conseguiria comer tudo aquilo. Foi, sem dúvida alguma, uma das fases mais complicadas, pois eu tive que me obrigar a comer, eu tive que me convencer, a cada refeição, de que aquilo tudo era necessário, de que eu não estava comendo demais, de que na verdade era bem menos comida do que eu estava imaginando.
Aos poucos, depois de vários e vários meses, depois de chorar durante refeições inteiras, depois de culpar deus e o mundo, depois de me culpar, depois de ter crises, depois de voltar milhões de vezes, depois de me machucar, depois de doer muito, depois de pensar em desistir, depois de desistir e depois de desistir de desistir, consegui aumentar algumas coisas na dieta, acrescentando mais frutas, mais saladas, mais proteínas e sucos. Aos poucos eu fui voltando a conhecer meu gosto, conheci sabores novos, e voltei a ter apetite. Mas, isso não aconteceu de uma hora para a outra, levou mais de um ano.
Então, o que eu quero dizer é que vocês não devem esperar que as coisas voltem ao normal rapidamente, não devem servir um prato e esperar que vocês voltem a comer como costumavam, pois isso seria correr antes de aprender a caminhar. Aprendam a caminhar.

Boa tarde, quase noite haha Estou de férias não oficiais, portanto acho que os posts se tornarão mais freqüentes.


Sábado eu decidi fazer bolo, mas eu não estava com vontade de comer bolo de caixinha, muito menos meu quase clássico bolo de milho verde. Então eu decidi pegar alguma receita na internet e arriscar. Escolhi um bolo integral de cenoura, e acabei modificando um pouco a receita (e pretendo modificar mais, não gostei do fato de levar ovos).
Não gostei muito do sabor dele quente, mas quando frio fica ótima. Quando eu comi, eu coloquei geléia de abóbora por cima, só para ficar mais docinho.

A receita:

Bolo de cenoura, gengibre e mel

            3 ovos
            1 xícara de mel (coloquei um pouquinho menos)
            1/3 xícara de chá de óleo
            2 cenouras raladas
            2 xícaras de farinha de trigo integral
            ½ colher de sopa de fermento em pó
            Um pedaço pequeno de gengibre ralado

Bata os ovos, as cenouras, o óleo, o gengibre e o mel no liquidificador. Leve a uma bacia e acrescente a farinha e o fermento. Leve ao forno em uma forma untada ou de silicone.


domingo, 27 de novembro de 2011



Hoje decidi olhar minhas fotos antigas, fotos da minha formatura da oitava série e de várias tardes que passei com meus amigos (as). São fotos que me machucam muito, mas por alguma razão eu senti necessidade de revê-las hoje.
2008
2009
Eu era tão diferente de hoje, tão completamente o oposto. Eu não dava a mínima para o meu peso, sequer entendia tabelas nutricionais, bebia refrigerante como se fosse água e devorava bacias de pipoca e panelas de brigadeiro. Eu não passava as tarde sozinha, eu não precisava me lambuzar com bloqueador solar para atravessar a rua, eu ria de pessoas como eu.
Não estou dizendo que eu era uma pessoa melhor, não estou dizendo que eu gostaria de voltar no tempo, só estou dizendo que eu era diferente e que eu não sei como me sentir em relação a quem eu era. Eu odeio tanto tantas partes da menina que eu costumava ser, e eu amo tanto outras partes. E eu sei que, de certa forma, meus problemas atuais são fruto do meu desleixo no passado. Até hoje me arrepia pensar como eu era gorda e não sabia, e não percebia, e não me sentia gorda. Eu era gorda e me via magra, não magra extrema, não magra até os ossos, mas magra saudável, magra aceitável. E saber que eu costumava ser assim, que eu costumava não perceber o real estado de meu corpo e imagem que este transmitia, até hoje me assusta. Eu quero me enxergar claramente como eu sou, e não enxergar aquilo que julgo ser ou aquilo que quero ser. E eu tenho tanto medo de engordar demais e não notar, de estar inchada, com roupas apertadas e coxas que se encontram.


2010


Começo de 2011



Hoje

Acredito que, em parte, esse medo de algum dia voltar a não perceber certas coisas, me guiou ao extremo oposto. Não acho que esse seja o único motivo, pois posso citar um milhão deles, mas esse foi, sem dúvida alguma, um dos principais. Vocês não imaginam a vergonha que eu ainda sinto de meu corpo em 2008, muito menos as incontáveis vezes em que me olhei no espelho e vi ela, ali do outro lado, parada, me desafiando, ou as vezes em que eu olhava para o prato e lembrava do que meu corpo costumava ser.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011



Eu sei que esse vídeo é antigo, mas acho válido compartilhá-lo. E acho que Isabelle deveria servir de exemplo e inspiração para muitas garotas e garotos, mas não por sua magreza extrema, e sim por sua luta para viver, por todo peso que ela conseguiu recuperar, por ter sido forte até o último segundo.
Boa tarde!
Não sei se algum dia eu vou começar algum post com naturalidade ou sem ficar pensando “como você é boba, ninguém vai ler isso mesmo, escreve de qualquer jeito”. Anyway, hoje falarei de como tenho me sentido em relação a minha alimentação. Quando meus pais decidiram buscar ajuda profissional – há pouco mais de um ano -, eu tinha em mente que eu iria comer o suficiente para acordar todos os dias e me manter em pé, nada mais do que isso. Eu media a altura e comprimento de tortas e lasanhas, a quantidade exata de colheres e conchas, e, sempre que possível, diminuía alguma coisa. Eu, nessa época, ainda sentia que eu estava bem, que eu tinha o controle sobre tudo isso, pensava que, em qualquer momento, eu poderia voltar a comer como todo mundo.
Com o tempo, ao invés de eu ganhar peso – fui para a nutricionista pesando 46 quilos – eu perdi e, no verão do ano passado, cheguei a pesar 41 quilos. Foi então que eu percebi que eu não tinha mais controle. Eu me olhava no espelho e percebia que eu estava magra demais, que minha pele estava seca e que meus cabelos e unhas estavam fracos. Eu me olhava no espelho e sabia que eu não queria ser nada daquilo, que eu não queria conviver com meu estômago queimando, com meu corpo murcho e com meus ossos expostos. Eu queria conseguir me alimentar direito, queria me sentir calma após as refeições principais, mas eu simplesmente não conseguia.
Não sei se algum dia conseguirei expressar com precisão a dor horrível que eu sentia. Eu sentia peso, raiva, nojo, náusea, medo. Era como se eu precisasse fugir, como se eu precisasse me arranhar, gritar, chorar, morrer. E, todas às vezes que alguém repetia que eu deveria comer mais, que meu prato não estava cheio o suficiente, que eu poderia servir um pouco mais, que eu estava magra demais, que minhas roupas já haviam sido mais justas, eu sentia como se o mundo todo me odiasse e não se importasse comigo. Eu queria que alguém me libertasse, que alguém me dissesse o que fazer para as coisas voltarem ao normal.
A verdade é que, desde o começo desse ano, tenho lutado de verdade. Eu tenho ido e voltado, tenho aumentado porções, tentando me importar menos, tentado me distrair e me conhecer melhor. E a verdade é que, só agora, só depois de 11 meses, os resultados estão aparecendo. Eu me sinto viva, me sinto calma, e tenho um apetite que eu nunca imaginei que algum dia voltaria a ter. Eu ainda tenho controle sobre minha alimentação, ainda escolho muito meus alimentos e evito comidas gordurosas e carboidratos demais, mas nada comparado ao controle extremo que eu costumava ter. Tenho notado que aumentei bastante as porções, inclusive nos recheios de lasanhas e tortas, e que tenho me permitido comer doces e outras coisas que sinto vontade. Ainda não me pesei, pois minha próxima visita a nutricionista será no dia 13, mas sinto que meu corpo tem mudado – e o melhor é que eu não me sinto mal por isso, não me sinto culpada ou com medo, eu me sinto orgulhosa.

Meu almoço de hoje foi:

 1- Panqueca com massa integral e recheio de: Molho com proteína de soja, brocólis, ricota, requeijão e milho.
2- Broto com amaranto.
3- Couve Chinesa, baby cenourinha e brocólis.
Ah, eu tomei um copo de suco de soja e comi um pedaço de chocolate meio amargo.


Beijos, até amanhã <3

quinta-feira, 24 de novembro de 2011


Passei pouco mais de cinco minutos digitando “olá”, apagando, olhando para o teclado e digitando outra vez. Fiz isso vezes o suficiente para perceber que, se eu não decidisse por outra forma de começar, eu jamais escreveria esse blog. Tenho adiado esse projeto por anos, e desde que tenho me sentido melhor comigo mesma, tenho pensado mais ainda em escrever sobre tudo o que passei e sobre tudo aquilo que ainda está por vir.
Talvez eu acabe escrevendo apenas para mim, mas tenho esperança de que alguma garota, tão perdida quanto eu estava, encontre meu blog e sinta algum conforto em saber que alguém superou, que alguém entende e se importa.
Na internet é muito fácil encontrar blogs sobre ana/mia, mas a maioria deles parecem escritos por pessoas que não percebem que certas coisas não devem se tornar públicas, que certas “dicas” são melhores quando não compartilhadas. É tão fácil você encontrar dicas de como se manter em pé sem comer, como suportar dias de NF, de como enganar seus pais, de como não ser ouvida quando está no banheiro. Você rapidamente encontra lista de alimentos pouco calóricos, de laxantes e chás fortes. E, quando você menos percebe, você já não sabe como tudo isso começou, já não sabe o que fazer para sair disso tudo.
E esse blog vem da idéia simples de contar como estão sendo meus dias, de como estão sendo minhas visitas à nutricionista, de como tenho me sentido em relação ao meu corpo e peso. Também pretendo compartilhar receitas, fotografias, filmes, livros, músicas e crises. Não prometo postar todos os dias, tampouco prometo ser sempre positiva, mas prometo ser sempre sincera, contar exatamente como me sinto, sem mentiras, sem enrolações e enfeites poéticos.

Knowing I can face the things
That used to see too hard