sexta-feira, 30 de março de 2012


Eu finalmente assisti Stay Strong! E, caramba... COMO EU CHOREI! O documentário terminou e eu simplesmente não conseguia parar de chorar, desliguei o computador, me encolhi na cama e me deixei sentir.
Acho que finalmente consigo perceber toda força que eu tenho, toda a calma que conquistei nos últimos meses. Finalmente entendo a extensão dos problemas que enfrentei, e o quão corajosa eu fui. Nesses últimos meses eu evitei ao máximo olhar para trás, evitei lembrar de como era, de como doía, de quão sozinha eu estava. Eu evitei pensar nisso porque, querendo ou não, sempre será uma ferida aberta, e, às vezes parecia mais fácil ignorar a existência dela.
Mas ontem não, ontem eu me deixei lembrar de tudo. Eu lembrei de todas as noites que não consegui dormir porque sentia fome, de todas às vezes que escondi comida, todas às vezes que me forçaram a comer. Lembrei do peso, do medo, do vazio, do desespero. Lembrei de sentir que aquilo era eu, que eu não poderia ser outra coisa. Lembrei de não me importar mais, de sentir que ninguém mais se importava. Lembrei de todas as madrugadas que passei no chão do banheiro, de todos os cortes, de todas as vezes em que pedi socorro, de todas as vezes que desejei estar sozinha para me destruir por completo.
Lembrei de toda culpa, de sentir que o mundo seria um lugar melhor sem mim. Lembrei da falta de ar, do desequilíbrio, de acordar sem saber se eu suportaria até o fim do dia. Lembrei de toda força que precisei encontrar para dar cada um desses pequenos passos.
E lembrar de tudo isso, lembrar de tudo que eu não conseguia me deixar fazer, de tudo que parecia impossível, de tudo que doía, de tudo que eu não conhecia, de tudo que eu não entedia, só me fez sentir ainda mais orgulho por finalmente ter chego aqui.
Eu sei que haverá dias em que tudo irá doer outra vez, que haverá dias em que vou me olhar no espelho e me odiar por inteiro, que haverá dias em que eu estarei sozinha e sem saber o que fazer, mas também sei que haverá dias como hoje, em que me sinto completa, perfeita, forte e calma.
E eu devo um pouco disso a cada um de vocês, cada um que se importou em me perguntar se estava tudo bem, em me dizer que eu era mais forte do que isso, em me dizer que eu era linda e só eu que não percebia isso. Então, além de contar o quão bem estou me sentindo hoje, quero agradecer por tudo que fizeram por mim, por terem me ajudado a descobrir que sou muito mais do que um dia imaginei ser.

sábado, 3 de março de 2012






Me pesei na farmácia ontem, e mesmo sabendo que isso é ótimo, mesmo sabendo que eu deveria ficar feliz e agradecer, tremi por dentro ao ver o 46,75kg estampado no visor. Não quero me sentir assim, não quero.
Eu juro que estou tentando. Juro que estou tentando me manter calma todos os dias, tentando respirar fundo e não me desesperar sempre que visto uma calça e percebo que está justa demais, que mais um pouquinho e não servirá mais. Juro que estou tentando não pensar nisso, tentando ignorar meu reflexo rindo de mim sempre que passo por um espelho. Mas hoje, agora, não dá. Eu não posso, eu não consigo.
Hoje dói tanto, e dói mais ainda saber que eu não posso fracassar. Dói sentir aquele calafrio me pegando, esse desespero tomando conta e pedindo por medidas drásticas, dói passar pelo banheiro e ignorar a escova de dente no canto direito da pia. Dói toda essa gente palpitando, questionando, atrapalhando. Por que não podem ficar em silêncio por alguns minutos? Por que não podem me deixar respirar? Por que eu não me deixo respirar?