domingo, 27 de novembro de 2011



Hoje decidi olhar minhas fotos antigas, fotos da minha formatura da oitava série e de várias tardes que passei com meus amigos (as). São fotos que me machucam muito, mas por alguma razão eu senti necessidade de revê-las hoje.
2008
2009
Eu era tão diferente de hoje, tão completamente o oposto. Eu não dava a mínima para o meu peso, sequer entendia tabelas nutricionais, bebia refrigerante como se fosse água e devorava bacias de pipoca e panelas de brigadeiro. Eu não passava as tarde sozinha, eu não precisava me lambuzar com bloqueador solar para atravessar a rua, eu ria de pessoas como eu.
Não estou dizendo que eu era uma pessoa melhor, não estou dizendo que eu gostaria de voltar no tempo, só estou dizendo que eu era diferente e que eu não sei como me sentir em relação a quem eu era. Eu odeio tanto tantas partes da menina que eu costumava ser, e eu amo tanto outras partes. E eu sei que, de certa forma, meus problemas atuais são fruto do meu desleixo no passado. Até hoje me arrepia pensar como eu era gorda e não sabia, e não percebia, e não me sentia gorda. Eu era gorda e me via magra, não magra extrema, não magra até os ossos, mas magra saudável, magra aceitável. E saber que eu costumava ser assim, que eu costumava não perceber o real estado de meu corpo e imagem que este transmitia, até hoje me assusta. Eu quero me enxergar claramente como eu sou, e não enxergar aquilo que julgo ser ou aquilo que quero ser. E eu tenho tanto medo de engordar demais e não notar, de estar inchada, com roupas apertadas e coxas que se encontram.


2010


Começo de 2011



Hoje

Acredito que, em parte, esse medo de algum dia voltar a não perceber certas coisas, me guiou ao extremo oposto. Não acho que esse seja o único motivo, pois posso citar um milhão deles, mas esse foi, sem dúvida alguma, um dos principais. Vocês não imaginam a vergonha que eu ainda sinto de meu corpo em 2008, muito menos as incontáveis vezes em que me olhei no espelho e vi ela, ali do outro lado, parada, me desafiando, ou as vezes em que eu olhava para o prato e lembrava do que meu corpo costumava ser.


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