quarta-feira, 7 de dezembro de 2011


Bom dia. Sei que faz dias que eu não posto nada, mas estive sem ideias de assuntos para comentar, e, como ainda estou em um estado de adaptação – ou seja, ainda estou aprendendo a lidar com a pessoa que estou me tornando, com o não me importar tanto com peso, com porções exatas, com calorias a mais – não é todo os dias em que consigo ter uma visão positiva sobre a ana/mia.
Mas, como prometi ser sincera, decidi falar sobre isso. Estou finalmente chegando em uma fase onde eu me olho no espelho e em fotos e enxergo exatamente a minha imagem atual, enxergo os ossos expostos, as manchas e cicatrizes, enxergo minhas mãos magras, mas também enxergo meus cabelos mais macios, minha pele mais saudável, meu rosto mais corado, meus olhos mais brilhosos, minhas unhas mais fortes. Eu finalmente consigo me ver como um todo, ver todos os defeitos e todas as qualidades, e isso tem me ajudado a melhorar um pouquinho a cada dia. Eu tenho sentido medo de emagrecer, eu tenho sentido vontade de engordar, de aparentar a minha real idade.
Eu sempre tive muito medo de crescer, de me tornar adulta, de me tornar uma mulher aos olhos dos outros. Eu sempre gostei de ser a garota fofa, a garota pequenina, e desejar tanto isso foi uma das coisas que mais me empurrou para a ana. Eu sabia que, se eu não comesse mais, eu continuaria pequena, eu manteria meu corpo infantil, eu jamais seria vista como um objeto sexual ou como uma mulher. E foi o que aconteceu, eu tenho 17 anos e não menstruo mais. Eu tenho 17 anos e visto roupas de criança. E isso não é bonito, embora costumasse parecer bonito quando não era real, quando eu não sentia nem percebia. Isso é triste, isso machuca de se olhar.
E todos os dias eu acordo de manhã e espero que algo aconteça, que as coisas voltem ao normal. Eu não quero mais ser vista como criança, eu não quero mais precisar de ajuda. Por isso, por finalmente enxergar e sentir todo o meu estado, por ter plena consciência de tudo que vem acontecendo ao meu corpo, eu tenho me esforçado ao máximo para comer um pouco mais, para não pensar em calorias, para ignorar embalagens, para não conversar sobre peso com as outras pessoas, para não exagerar em exercícios, para sorrir e me divertir um pouquinho mais.

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